Ótimos músicos, repertório versátil, participações mais que especiais e um cenário natural de encantar qualquer um, esse é o espírito que envolve o Multishow Ao Vivo - Vanessa da Mata. Em entrevista para o nosso site, a cantora conta como foi fazer este projeto e o que podemos esperar nesta quinta, dia30, a partir das 22h15 (Horário alternativo: domingo, dia 03 de maio, às 21h)
Vanessa também fala um pouco sobre a emoção de tocar com a dupla jamaicana Sly & Robbie, conta de onde vem a inspiração para compor e, na intimidade, ainda revela que já teve um sonho de abrir uma grife: "Mas sempre que comento sobre isso com alguém me falam da crise econômica". Além de cantar, ela faz roupas e foi a responsável por algumas peças do figurino no show que, aliás, sofreu muita interferência da cantora, da escolha do local ao cénario. Confira.
MULTISHOW: Quando você percebeu que seria o momento ideal para lançar seu primeiro DVD?Vanessa: Eu assistia a vídeos meus no Youtube e comecei a sentir que precisava de um registro da minha carreira aprovado por mim. Isso é uma decorrência natural do meu trabalho, fui me sentindo até um pouco pressionada para isso. E eu funciono bem sob pressão (risos).
Como se deu a escolha de fazer o DVD em Paraty?
Esperei o momento certo, pois queria que tivesse uma pureza na produção, com uma “cara” de manufatura. Acho importante que o DVD passe esse valor para as pessoas e que procure fazer com que elas se sintam lá em Paraty. E acho que Deus participou dessa gravação! Teve uma garoa que foi muito bonita no momento certo e para as pessoas isso foi uma delícia! Deu tudo certo apesar da tensão que a expectativa da chuva causou. Chegamos até a fazer simpatias como desenhar vários sóis no chão para não chover. Todas as pessoas que estavam envolvidas com o projeto se entregaram no dia do show.
Como foi a escolha das músicas do seu repertório para o projeto?
Foi muito difícil. Era sacrificante optar por algumas, pois cada uma delas representava um momento meu que dizia muito sobre mim. Gostaria que essa escolha revelasse a história da minha carreira até o momento. Por isso, não puderam faltar “Ai, ai, ai”, que é o “Zezinho da sala de aula”, nem “Amado”, que é o “introspectivo da classe”.
De onde vem sua inspiração para compor?
As músicas têm vida própria. Elas esperam o momento certo para se encaixar. Quando compus "Boa Sorte/Good Lucky", senti que faltava uma parte, que foi completa com a parceria com Ben Harper. Então ela condizia com aquele momento que vivia. Eu adorava ir para um café e ficar observando as pessoas. Para isso, me entupia de café, sou muito sensível à bebida, e ficava inventando histórias sobre elas, aplicando uma espécie de “psicologia de botequim”, uma espécie de análise humana mais poética. Eu gostava de enfeitar as pessoas.
De onde vem a sua inspiração para se vestir? De onde são os vestidos que você usou no show?
Eu sou uma vovó! (risos) Eu gosto do manual, tenho essa coisa do interior dentro de mim. Sou daquele tempo em que as moças ganhavam tecido das tias. Gosto de fazer as coisas para os outros. No show, o vestido vermelho é de uma grife do Rio chamada Martu. Já o colorido foi uma grande mistura! Viajei para o Peru nas minhas últimas férias e fui a uma feira de tecidos folclóricos e comprei vários. Levei o modelo em uma costureira e ela fez para mim. Foram vários dias para compor o vestido, experimentava sempre e cheguei até a desfazer algumas roupas para terminá-lo. As flores da alça, por exemplo, eram de uma bolsa!
Você já pensou em lançar sua própria grife?
Sim, já pensei nisso, adoraria inclusive. Mas, sempre que comento sobre isso com alguém, me falam da crise econômica.
Tem muita interferência sua no projeto?
Eu coordeno cada detalhe. Se eu não participar, em alguma hora eu não vou me ver ali no projeto. Quanto mais eu me envolver, mais o resultado vai ficar dentro daquilo que eu gostaria.
Como você mantém sua voz?
A voz é um músculo e é preciso exercitá-la. Mas eu prefiro compor, é chato ficar cantarolando o dia inteiro, né? (risos)
Como foi tocar com Sly e Robie?
Foi muito especial. Eles são completamente diferentes dos brasileiros, têm outro estilo. O swing do reggae é muito presente, o tom do baixo é muito mais forte, eles quase não usam prato na bateria, enfim, são várias técnicas diferentes. Mesmo um leigo quando escutou os dois tipos sons no show em Paraty conseguiu perceber a diferença. E eles acabam com o mito de que os jamaicanos são todos tranquilos, no estilo “No Woman, No Cry”. Sly e Robie são muito politizados e até marrentos! (risos) Mas, no Brasil, eles viraram meninos e relaxaram.
Fonte: Multishow.Ao.Vivo